Petistas e antipetistas -- um país dividido
Petistas e antipetistas — um país dividido

Minha mente exigente não se anima com qualquer fato ou notícia cotidiana. Mesmo as notícias sobre política parecem sempre de pouca relevância, já que, no final das contas, elas modificam em quase nada a vida de todos nós. Porém, é difícil ignorar o momento atual da política brasileira, com todo mundo ao seu redor comentando as denúncias e casos de corrupção, a tal operação Lava-jato, e o recente fato da convocação do ex-presidente Lula para depôr à Polícia Federal (leia, por exemplo, aqui).

Contra ou a favor do PT: o país dividido

A primeira coisa que salta aos olhos a quem observa de fora é, mais uma vez, a divisão do país em petistas e antipetistas. Para um lado, Lula é um santo; para o outro, é o Diabo — e ambos os lados perdem a razão na defesa de sua religião política, arriscando amizades de longa data em discussões cheias de ódio ou dispondo-se a ir às vias de fato em manifestações de rua. É o que acontece toda vez que tem eleição pra presidente, desde 1989, e continua a mesma coisa quase 30 anos depois.

Contra e a favor de Lula -- um país dividido
Contra e a favor de Lula — um país dividido

Portanto, também a primeira coisa que um ser pensante deveria ter em mente é que, na política (assim como no amor e na vida em geral) não há santos ou demônios absolutos. Mesmo para quem não está por dentro dos bastidores da política, o mais provável é que essa crise entre Lula, Dilma, PT e o governo, de um lado, e Polícia Federal, mídia (Globo e cia.) e oposição, de outro, não seja uma luta entre o Bem e o Mal; mas simplesmente entre dois grupos políticos, um no poder e outro fora, cada um com seus interesses próprios (manter ou assumir o poder federal). Desconfio inclusive dos tais juízes da “Justiça” Federal: quer dizer, não acho que o tal do Moro seja o Cavaleiro Solitário da Honestidade só porque está contra o Lula, assim como não acho que o Lula seja um santo e que ninguém no PT nunca tenha feito nada de desonesto no governo.

Mas, infelizmente, a população em geral do nosso país insiste nessa polarização sem sentido. Os simpatizantes de Lula e do PT não admitem a mínima possibilidade de que pessoas no governo tenham cometido erros, e assim perdem uma grande chance de recuperar a credibilidade perante todo o restante da população; e os antipetistas realmente acreditam que todos os problemas do país serão resolvidos simplesmente com a saída do PT do poder, que o Lula é a raiz de todo mal e que basta votar em Aécio ou Bolsonaro na presidência pra termos um governo livre de corrupção.

PT, um partido morno

Quando o PT assumiu a presidência da república pela primeira vez, com Lula em 2003, ninguém sabia o que iria acontecer. Havia o temor, de um lado, e a esperança, de outro, de que Lula implantaria mudanças drásticas na política e na economia do Brasil. Mais de 10 anos após o fim da Guerra Fria, os mais estúpidos temiam o tal do “comunismo”. Eu fazia parte, como quase sempre, daqueles que já sabiam que pouca coisa iria mudar. Lula acabou surpreendendo todo mundo, sendo mais conservador do que ambos, direita e esquerda, poderiam supôr (o que provocou a ira de muitos no partido, que saíram — expulsos ou por conta própria — e fundaram o PSOL). E surpreendeu até mesmo a mim, com uma política econômica ainda mais conservadora do que eu esperava.

O que eu pensava, e esperava, é que Lula faria sim uma grande mudança no país, mas de forma responsável. Querendo ou não, aqueles que ainda tinham um emprego sempre dependem da saúde das empresas em que trabalham, e as empresas dependem de muitos fatores econômicos e financeiros, nacionais e globais. Mexer neste emaranhado de uma hora para a outra seria uma irresponsabilidade sem tamanho, e eu tinha certeza que o PT não faria isso. O que eu não esperava é que o PT, mais do que não fazer mudanças de forma irresponsável, não faria mudança nenhuma na estrutura econômica e política do país!

É certo que o social teve uma melhora considerável. Nem tão grande quanto os números do governo propagandeiam e a militância comemora, nem tão pequena quanto aqueles que odeiam o Lula, a Dilma e o PT querem acreditar. Mas suficiente para segurar o partido por quatro mandatos na presidência.

Mas melhora e mudança são coisas diferentes. O que o PT fez foi conseguir melhorar as condições de vida de grande parte da população sem precisar realizar mudanças estruturais no país. O PT conseguiu elevar um bom número de miseráveis à pobreza comum (classe média é exagero!!!!) sem fazer nenhuma mudança na relação patrão-empregado (no máximo, passou a exigir que empregadas domésticas fossem registradas em carteira). Conseguiu inserir mais pobres no sistema educacional por meio de diversos programas de acesso, mas não efetuou nenhuma mudança significativa nesse mesmo sistema educacional — continuamos com profissionais mal remunerados no ensino público, com ensino particular de melhor qualidade que o público até o ensino médio, com universidades públicas tendo melhor qualidade educacional mas condições precárias, e um vasto mercado de faculdades privadas que mais parece uma indústria de diplomas a pleno vapor.

Na política, o povo continua refém de candidatos cuja grande maioria ninguém sabe de onde saiu nem como foram escolhidos para estarem ali, mas que são as únicas opções na urna eletrônica. A tal democracia brasileira continua comandada pelos financiadores das campanhas, executada por políticos corruptos e suas dezenas de assessores e deturpada pelas grandes empresas de mídia.

Bom, como eu disse antes, eu sei que mudanças grandes assim não ocorrem de uma hora para a outra. Uma mudança na estrutura política brasileira, por exemplo, necessitaria, no mínimo, de um imenso apoio popular. Acontece que o PT teve essa chance, e não aproveitou. Isso ocorreu em 2013 e 2014, quando a população saiu às ruas — revoltando-se até mesmo contra o futebol! — clamando “peloamordedeus” por uma reforma política!!! Todo mundo estava cansado de não se sentir representado por nenhum partido nem ninguém, todo mundo estava farto da enorme distância entre os políticos e o povo, e todo mundo estava disposto a apoiar qualquer um que surgisse com uma boa proposta de mudança e vontade de liderá-la. Se o PT quisesse realmente fazer uma grande mudança nesse país, aquela era a hora!

Mas o PT não quer e nunca quis essa grande mudança. O partido e seus líderes acomodaram-se na estrutura corrupta do país, traindo a confiança daqueles que ainda acreditavam — embora muitos deles não tenham percebido a traição.

O PT vendeu sua alma ao diabo, e agora ele está exigindo o pagamento.

Diz a Bíblia que se deve ser quente ou frio, nunca morno.

Pois Lula, Dilma e PT foram mornos o tempo todo.

E quando as coisas vão mudar?

Queridos, essa é a questão principal, não é? Em meio a tanta sujeira, tanta desonestidade, no público e no privado, no religioso e no laico, do mendigo ao magnata, é difícil enxergar uma solução.

Uma coisa que aprendi, porque a História me ensinou, é que não vai adiantar a gente ficar esperando por um salvador. Isso nunca deu certo. Alguns líderes bons (não santos, apenas bons) surgiram e conseguiram progressos consideráveis, mas geralmente tiveram que pagar com a vida — e tudo parou, e até mesmo retrocedeu, porque não havia ninguém para substituir o líder a altura e continuar o seu trabalho. E quando o líder é mais inclinado ao mal, não é nem preciso comentar.

Em geral, o povo paga por terceirizar o seu papel. Me ouçam: delegar a tarefa de conduzir os caminhos de uma nação a um pequeno grupo, ou até mesmo a uma só pessoa, tem pouca chance de dar certo. Temos um exemplo aqui e agora mesmo! Toda essa corrupção de que todos reclamam, nas esferas municipal, estadual e federal, no judiciário, legislativo e executivo, tudo isso surgiu e vai continuar enquanto a população em geral continuar afastada da vida política. Estamos pagando o preço de deixarmos trilhões de reais nas mãos de pessoas que mal sabemos de onde vêm! E acredite em mim: votar em outro grupo de pessoas que não sabemos de onde vêm e quem estão por trás delas não vai mudar absolutamente nada!

Já fizemos isso antes. Já trocamos militares por civis, já trocamos tucanos por estrelas vermelhas.

E tudo continua basicamente a mesma coisa…

Quando as coisas vão mudar?

Quando tomarmos consciência de que as rédeas do país devem estar em nossas mãos. Nós vamos ter que estudar muito. Vamos ter que estudar Ciências Políticas, Economia, História e Direito. Não um pequeno grupo de nós. Estou falando de todos nós. Assuntos considerados “chatos” terão de ser os mais importantes de nossas vidas. Temos de parar de bater boca no Facebook copiando e colando links, e mergulhar a fundo no conhecimento que nos permite realmente entender como e porque um país chega no fundo do poço.

Vamos ter de encontrar juntos, como sociedade, uma saída para nós mesmos.

Temos de evoluir.

É o parecer,

“um ser pensante”

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